‘Malhação ID’ retrata jovens que pouco se aproximam da realidade

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Márcio Maio

Malhação se mantém no ar depois de 15 anos. E isso prova a identificação criada com o público infantojuvenil ¿ que já se renovou algumas vezes nesse período. Mas assistir a alguns capítulos da temporada nova, intitulada Malhação ID, chega a ser confuso por conta de alguns detalhes que em nada se aproximam da realidade vivida por jovens normais que cursam o ensino médio.

Como, por exemplo, o mocinho Bernardo, de Fiuk, que tem um carro. Ou o já conhecido Bruno, de Caio Castro, que é casado com a diretora de seu antigo colégio. Isso sem falar no grupo de alunos que divide o apartamento que é de Zuleide, interpretação cômica de Priscila Marinho. E nem se tratam de jovens do interior que se mudaram para a cidade grande em busca de uma educação melhor. Alguns apenas decidiram sair da casa dos pais e experimentar a vida em uma república estudantil. Simples assim.

Fantasias à parte, um dos maiores trunfos de Malhação ID é apostar em artifícios que já agradaram em temporadas passadas. Explorar os esportes era uma marca da estreia, em 95, quando todos os personagens se cruzavam em uma academia de ginástica, e não em uma escola. Cristiana, a mocinha vivida por Cristiana Peres, pratica patinação artística, enquanto Bernardo tem um time de hóquei.

Além disso, a música pode ganhar espaço ao longo de 2010, já que o protagonista é cantor e faz sucesso entre as adolescentes como vocalista da banda Hori. Ou seja, caminho livre para que o autor possa enveredar por esse lado.

Manter um folhetim voltado para adolescentes no horário da tarde não é uma tarefa fácil. Isso porque as restrições da classificação indicativa não dão tanta abertura para uma discussão mais clara e profunda a respeito de questões ligadas à sexualidade e às drogas, por exemplo.

Talvez por isso as pitadas educativas sejam tão teóricas e, consequentemente, cansativas. E também repetitivas, já que explorar uma mocinha que, de tão boazinha, se preocupa mais em fazer trabalhos voluntários do que ganhar dinheiro e ajudar a própria família é algo batido. E, por fim, fazê-la se apaixonar pelo garoto rico e popular do grupo já é clichê até no histórico de Malhação. A última temporada que fez sucesso, em 2008 – que revelou as atrizes Sophie Charlotte e Nathália Dill – se baseava nessa temática.

Mas uma coisa deve ser frisada: há tempos Malhação não ganhava um vocabulário tão próximo ao que se ouve na boca dos adolescentes nas ruas. E a interação com o público através da internet é outro ponto favorável desta temporada. Explorada muitas vezes, nunca a rede mundial de computadores foi tão bem aproveitada pela equipe para ouvir os jovens telespectadores. Desde blog a jogos interativos, muitas são as formas utilizadas para prender a atenção do público mesmo quando o seriado diário não está no ar. Um trunfo que, a médio prazo, pode fazer com que o programa volte a bater, pelo menos, a casa dos 20 pontos.

Recentemente, a Globo chegou a amargar míseros 12 de média durante a exibição do “folheteen”.



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