“Lost” cria estratégia para evitar vazamento de segredos

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Na ida, o voo para o Havaí tem duas escalas: Miami e Los Angeles. A pequena turbulência faz pensar no que aconteceria se o avião partisse ao meio e caísse numa ilha nem tão deserta quanto se poderia imaginar. Aconteceu em “Lost”. Poderia acontecer de novo…

Há cinco anos, Carlton Cuse e Damon Lindelof imaginaram a história desses náufragos que se veem na encrenca de ter de sobreviver fora da civilização no estilo de “Survivor”.

A série voltava no tempo para contar quem eram aquelas pessoas. Ao final da primeira leva de episódios, tinha-se uma vaga ideia do grupo principal. Na segunda temporada, o que era verdade virava do avesso.

Ano a ano, a trama foi ficando mais complicada, com viagens no tempo e outras fantasias. A audiência caiu dos 20 milhões iniciais para a metade. Mas esse público é fiel e não vê a hora de a sexta e última temporada estrear. O martírio tem data para recomeçar: 2 de fevereiro nos EUA e uma semana depois no Brasil, no canal AXN. É o menor atraso com relação à exibição americana da história. A internet está à espreita.

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Dias atuais. Imprensa internacional se reúne num hotel de luxo no Havaí para falar com os atores principais da série. Os que interpretam Juliet e Charlie não estão na lista. Talvez porque ela já tenha um novo emprego em “V”; e ele, em “FlashForward”. Aparentemente morreram de vez. Será? Em “Lost”, isso nunca é claro. Ou, como Charlie confunde Hurley na série: “Estou morto, mas também estou aqui”.

Cuidado

Estas duas páginas sobre o seriado vão entregar algumas surpresas. Então, se você não gosta de “spoilers”, melhor parar de ler, guardar o texto e só voltar em fevereiro. Ou maio, quando o final for ao ar, encerrando de vez o sofrimento dos aficionados.

Os produtores sabem bem como é difícil manter guardados os segredos. Por isso criaram um esquema pesado. Os atores só recebem os roteiros das gravações com dois dias de antecedência e devem buscá-los pessoalmente. Nada de coisas pelo correio ou por e-mail. Cada trailer é equipado com um picotador de papel. “Todos sabem que não é para pôr nada no lixo”, conta a produtora Jean Higgins. “E cada roteiro tem uma marca d’água. Se vazar, vamos saber quem foi.”

Filmar numa ilha ajuda a proteger os segredos pelo isolamento. Enquanto seguimos para um dos sets de filmagem, no norte do Havaí, não há nada no GPS do carro. Apenas a rodovia. Já em Los Angeles, uma gravação curta para a promoção da estreia foi parar imediatamente no Twitter e em blogs.

Mesmo as cenas internas são feitas agora em estúdio no próprio Havaí. Mas a proximidade com o mar também pode causar problemas. Parte do cenário teve de ser retirada no começo da temporada de surfe neste mês. Ondas de oito a 11 metros de altura, equivalentes a um prédio de cinco andares, ameaçavam engolir pedaços ainda necessários para a trama.

O último episódio ainda está sendo escrito e deve permanecer só “em algumas cabeças”, segundo Higgins.
O diretor criativo, Jack Bender, sabe a história por inteiro: “Nenhum ator conhece o fim. Talvez para onde vai seu personagem. Está bem assim. Meu trabalho é fazer com que saibam o suficiente para ir na direção certa.”

O ator Terry O’Quinn, o Locke, tem pistas. Vestido de preto, como seu personagem no final da quinta temporada, diz que foi difícil aceitar que tinha morrido. “Não sei quem sou agora. Mas, com certeza, é outro cara, com outros propósitos.”

Diz que não tem respostas. “Sempre pensei que os criadores estava jogando bolas ao alto. Muitas bolas. É bom eles serem rápidos e pegarem um bom número delas antes que caiam. Ou alguém vai ter problemas.”

Bender conta que eles “sabiam desde o começo aonde estavam indo, mas o caminho foi se cristalizando ao longo dos anos”. “Todas as questões importantes serão explicadas. Não vai ser um sonho do Hurley ou uma trama da CIA. Tampouco estarão todos mortos. As respostas serão complexas como o seriado tem sido desde o início. E, como a vida, algumas respostas terão mistérios. Mas não vamos deixar coisas para retomar num filme em sequência. Não está nos planos.”

Higgins também não descarta fazer algumas cenas falsas para despistar. “Já fizemos isso em outras ocasiões”, diz, enigmática. O segredo é a alma do sucesso.

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