Renato Aragão conta detalhes de novo programa e especial

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Livian Aragão e Didi lançaram para o elenco o especial de fim de ano 'A Princesa e o Vagabundo' nesta quinta-feira (10), no Rio de Janeiro Foto: Carlos Zambrotti/AgNews

Ô, psit, ô, da poltrona, se ajeita! É hora de aplaudir de pé o palhaço há mais tempo em exercício na TV e cinema brasileiros. No dia 13 de janeiro de 2010, Renato Aragão completará 75 anos de vida e Didi Mocó Sonrisélpio Colesterol Novalgino Mufumbo celebra, no mesmo período, seus 50 anos de existência. Cuma? Mocó é um rato do mato, sonrisélpio por causa do Sonrisal – não podia falar o nome do produto na época, mufumbo é um arbusto do Nordeste.

“Não gosto de comemorações de data. A minha idade é o que eu tenho na cabeça. Acho que 50, 60, 70 são marcos de história, mas tenho que correr na frente para a idade não me alcançar. O próximo ano para mim vai ser como o marco zero”, diz o humorista, que, por conta de sua vitoriosa trajetória, ganhou alto investimento em tecnologia para o especial de TV A Princesa e o Vagabundo, com exibição em 1º de janeiro.

Didi vai contracenar com Voltaire, o ratinho em animação 3D, utilizada pela primeira vez na Globo. A emissora também vai dobrar a duração de seu programa, que será totalmente reformulado, além de produzir um especial sobre as cinco décadas de seu mais famoso personagem.

“Queria continuar com a Turma do Didi. É um formato que me agrada, é arroz com feijão, mas não teve jeito: virá uma mudança radical. O novo programa vai ser uma mistura de acampamento de férias com uma grande cidade mágica”, adianta.

Com duração de uma hora, o projeto será semanal, com foco no público juvenil. “Meu humor é de circo. Não sei fazer stand up, não sou aquele comediante que chega e fica contando piadas. Meu estilo de trabalho é falar em pum, besteira para criança”, conta Renato, que, como quase todo bom humorista brasileiro, é cearense.

“Meu primeiro trabalho na televisão foi na TV Ceará, bolei vários esquetes. Em 1960, escrevi uma história sobre um patrão, uma patroa e um empregado, que, na hora de batizar, pensei: ‘O nome dele não pode ser Renato’. Aí, veio Didi na minha cabeça e bati na máquina: Didi”, relembra.

Da mesma cabecinha chata saiu a inspiração para a criação dos Adoráveis Trapalhões, que em 1966 reuniu na TV Excelsior Renato Aragão, Wanderley Cardoso, Ivon Cury e Dedé Santana. Mussum e Zacarias passam a integrar o grupo em 1975, na TV Tupi, e, juntos, vão para TV Record, até chegar na Globo em 1977. O quarteto ficou por 25 anos ininterruptos no ar. Mais de 120 milhões de pessoas assistiram aos filmes de Os Trapalhões. Suas produções estão entre as 10 mais vistas da história do cinema brasileiro.

O ‘politicamente correto’ atrapalha o humor
Daqueles tempos, Renato lamenta não desfrutar da mesma liberdade para fazer piadas. “Cada vez aperta mais o cerco. Naquela época era coisa ingênua. Eu brincava, chamava o Mussum de Negão e ele respondia: ‘Negão é teu passado’. Me chamavam de paraíba. Parecia brincadeira de colégio. Hoje fico até constrangido se numa esquete chamar alguém de velha feia ou baixinho. O politicamente correto tolheu o humor.”

Em 1990, sua trupe enfrentou a morte de Zacarias e o programa tornou-se o Trapa Hotel, que foi exibido até 1994, quando Mussum faleceu. “Minha filha Lívian não conhece Os Trapalhões. Ela já viu um filme ou outro, mas não assistiu aos programas, que particularmente não vejo. Fico muito triste quando assisto. Choro, me dá saudade. Tive que dar a volta por cima, porque foi muito triste perder os dois colegas.”

Didi apresentou reprises até retornar em 1998, com a Turma do Didi. Com elenco novo e aposta em atores iniciantes como Kléber Bambam e Jacaré, Renato Aragão parece ter encontrado na filha Lívian, fruto do casamento com a fotógrafa Lílian Taranto, sua atual parceira. A menina, de 10 anos, é companhia constante em seus filmes e programas. Ela estreou em 1999, com 8 meses, no filme Os Trapalhões e a Luz Azul.

“Ela pedia, fui abrindo espaço para contentá-la. Mas Lívian não é humorista, acho que irá mais para o drama. Minha filha é muito profissional. Outro dia ficou quase nove horas de pé durante uma gravação, sem chiar, na maior alegria. Fico me sentindo culpado, fui resistente, mas agora vou dar força”, reconhece ele, que terá a companhia da menina no programa semanal, que estreia em 2010.

“Meu pai tem um pouquinho desse Didi nele. Em casa, ele também faz trapalhadas, joga futebol comigo. Ele tem uma criança dentro dele”, conta Lívian. Renato também é pai de Paulo, Ricardo, Renato Jr. e Juliana, filhos de Marta Rangel, morta em 1991 e com quem Renato viveu por 34 anos.

Apesar das semelhanças entre Didi Mocó e Renato Aragão, o humorista garante que consegue separar os dois. “Adoro Didi. Ele é meu alter-ego, meu catalisador, mas a diferença é grande. Sou um pai de família, adoro ficar em casa”, conta o humorista, de malas prontas para passar o Natal e o Ano Novo nos Estados Unidos. Nas poucas vezes em que sai, Renato se diverte com seus fãs. “Eles me chamam de Didi. Um rapaz me disse que conheceu uma moça na fila dos meus filmes, casou com ela e hoje leva o filho para me ver no cinema. Isso é muita responsabilidade. São gerações e gerações”, diz, orgulhoso.

“Preferia gravar com a realidade”
Pela primeira vez na história da TV Globo, a emissora vai apresentar um programa em animação 3D. A honra de contracenar com o ratinho Voltaire foi de Renato Aragão, no especial A Princesa e o Vagabundo. “Eu preferia gravar com a realidade mesmo. É um trabalho, uma dificuldade você contracenar com o vazio. Às vezes, meu olhar estava maior do que o tamanho do camundongo”, diz o humorista, que vai contar com o rato para salvar a princesa Lili (Lívian Aragão) no reino de Landinóvia, governado pelo Rei Lindolfo (Herson Capri) e pela Rainha Valentina (Maria Fernanda Cândido).

O elenco conta ainda com nomes como Carolina Casting, Luis Mello e Nathália Timberg. Para que o programa fosse feito com o maior primor, ele começou a ser gravado em abril e ainda está em fase de finalização. Isso impediu que Renato Aragão marcasse presença nas telonas este ano. “Antes fazia dois filmes por ano, gravava o programa, fazia show. Me confundia com o trabalho. Aos poucos, fui tirando o pé do acelerador”, relembra Renato.

O Dia

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